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Plantas Silvestres Comestíveis • Conhecimento Tradicional • Paisagens Vivas
O Laboratório Observatório convida-o a experienciar a Ilha do Pico através das suas paisagens comestíveis e culturais , onde a geologia vulcânica, as plantas silvestres e o conhecimento comunitário estão profundamente interligados. Fundamentado na investigação etnobotânica e na observação etnográfica , e inspirado pela filosofia de Maria Manuel Valagão, o projeto explora a forma como os habitantes locais, ao longo da história, interpretaram, utilizaram e moldaram o território do Pico através das suas interações quotidianas com as plantas espontâneas.
Com o contributo da conceituada especialista em plantas Fernanda Botelho , a iniciativa documenta e destaca as espécies silvestres comestíveis e medicinais do Pico, trazendo o conhecimento científico ao saber ecológico tradicional. Contaremos também com a presença de entusiastas da cozinha e da gastronomia , incluindo vozes do mundo vegan como a viajante Zara Quiroga , que traz o seu entusiasmo e experiência em cozinha à base de plantas e práticas alimentares sustentáveis.
Através de caminhadas guiadas , os participantes ouvem, observam e interagem com os habitantes locais, descobrindo como o conhecimento sobre as plantas é transmitido através das gerações. As experiências de campo são complementadas pelas nossas sessões no Laboratório de Culinária , onde os insights recolhidos são transformados em prática — preparando, degustando e reinventando plantas silvestres de formas que celebram tanto a tradição como a inovação.
Em conjunto, estas atividades revelam a Ilha do Pico como uma paisagem gastronómica dinâmica, onde a natureza, o património e as práticas alimentares contemporâneas se encontram.
As paisagens não são apenas vistas — são vividas, cultivadas, narradas e saboreadas.
O antropólogo Arjun Appadurai recorda-nos que a comida é um “facto social altamente condensado” (Appadurai, 1981), revelando sistemas de valor, memória e troca. De forma semelhante, o entendimento de Tim Ingold sobre a paisagem como uma “paisagem de tarefas” (Ingold, 1993) convida-nos a ver o território como um processo contínuo moldado pela prática, e não como um pano de fundo estático. No âmbito académico português, Maria Manuel Valagão demonstrou como os recursos comestíveis silvestres e os itinerários interpretativos revelam o património alimentar como indissociável da paisagem.
O Laboratório do Observatório surge em diálogo com estas perspectivas.
Abordamos a Ilha do Pico como uma paisagem alimentar — um termo utilizado nos estudos alimentares para descrever a interseção entre ecologia, cultura, economia e vida quotidiana. O solo vulcânico do Pico, os muros de pedra, as hortas de subsistência, os terrenos abandonados e as margens costeiras formam uma rede viva de práticas, memórias e possibilidades.
Neste sentido, o Laboratório do Observatório não se distancia das tradições de investigação anteriores — estende-as à prática vivida. Questiona não só como interpretamos a paisagem, mas também como a utilizamos na culinária, como cuidamos dela e como cocriamos o seu futuro.
Este evento, criado pela Oh! My Cod, reuniu plantas silvestres e espontâneas identificadas durante caminhadas e transformou-as em pratos cuidadosamente elaborados. A chef Natacha Dias e a chef Zara Quiroga irão preparar as degustações com a ajuda de Sílvia (fundadora da Oh! My Cod) e Fernanda Botelho (botânica especializada em plantas medicinais). E todos os receberemos de braços abertos!
A degustação explorou:
Plantas silvestres comestíveis e medicinais do Pico
Usos tradicionais e interpretações contemporâneas
Experimentação à base de plantas e investigação sensorial
O número limitado de lugares garantiu uma atmosfera íntima e reflexiva, onde a degustação é acompanhada por histórias, contexto e diálogo.
Localização: São Caetano (Travessa dos Fontes, 6)